domingo, 7 de dezembro de 2008

Especulações

É interessante observar o que se produz quando se dá liberdade total ao pensamento e à especulação depois de um acontecimento negativo. Às vezes faço filmes inteiros a partir de mini-cenas, mas sei perfeitamente que não passam de filmes e que, na realidade, não é nada disso que aconteceu, eu é que sou parva e tenho a mania de ver coisas onde elas não existem.

Tudo muito bem até ao momento em que se percebe que se calhar não são só filmes, que as coisas não são só produto da minha imaginação, porque não sou só eu a pensar nelas. Aí, é a liberdade especulativa total. E descobrem-se/pensa-se em coisas em que nunca se tinha pensado, porque se parte do pressuposto que são tão despropositadas que nem sequer entram no saco das Possibilidades de Explicação. E descobre-se que, pra lá do que teria imaginado, pode haver toda uma novela completa e que eu (nós) participei nela sem saber e sem querer.

Depois de chegar, percebi rapidamente que tínhamos um rótulo colado na testa e que, por isso, teríamos de ter alguma reserva quanto ao relacionamento com pessoas que têm mais um bocadinho de chocolate do que nós, coisa que nunca antes me tinha acontecido, mas que, pela diferença cultural, aceitámos que acontecesse e esforçámo-nos por manter distâncias e por sermos vistas como alunas e colegas de trabalho e nunca como raparigas.

Apesar desse esforço, que talvez nos tenha levado a relacionarmo-nos menos com os nossos colegas rapazes, tenho percebido que não deixámos de ser vistas como raparigas mais do que como alunas (aliás, lembro-me de o Bebé dizer que lhe seria difícil ter uma colega ou aluna mulher porque não se sentiria com o mesmo à-vontade a chamá-la à atenção como com um homem). Mais, talvez tenha acontecido isto com uma pessoa pela qual tinha muito respeito e estima e que via como um tutor exemplar, mas que à luz do que se passou quando nos fomos despedir dele, parece-me que traiu a nossa confiança e nos meteu numa alhada em não queria estar metida e que nem sabia existir. É claro que a tal alhada são especulações nossas, mas parece-me que passam disso, infelizmente.

Não quero mesmo pensar como mulher e não quero saber o que se passou de facto. Fica a desilusão e a sensação de confiança traída.



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